quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

A Astrum Argentum: método científico na religião?

UM PEQUENO RELATO... 

Ao longo de minha trajetória como estudante do misticismo fui confrontado com diversos questionamentos sobre a existência de um plano espiritual, e até da própria existência de Deus. 

No entanto ao longo de minha caminhada encontrei um sistema interessante o qual busquei conhecer. Até o momento acho lúcido e salutar seus princípios e aplicações, segue com vocês um trecho de um texto que escrevi falando um pouco sobre a Astrum Argentum, ordem a qual caminho em passos lentos.


A espiritualidade pode ser definida superficialmente como o conjunto de valores básicos que norteiam o contato de uma pessoa com uma possível experiência metafísica, fantástica - phantastikós, de domínio da imaginação; absurda - absurdum, foram da razão. 


Esta experiência é extremamente íntima e subjetiva e usualmente conecta o ser em um propósito existencial ou noção de completude, por isso pode ser igualmente complexa, no entanto, para que esta experiência se torne completa ao ser, existe a necessidade de ser apreendida pelos domínios do intelecto, através de estruturas metafóricas que criam uma lente para se observar este fenômeno. 


 Por milhares de anos as religiões hegemônicas se apropriaram dessas lentes para uma experiência metafísica, preenchendo o consciente e inconsciente através de um rico arsenal simbólico, no qual sua ampla maioria repousa emprestada de outras culturas, por vezes adaptado ao seu próprio contexto. 

A influência exercida munia de poder os sacerdotes que conduziam e canalizavam estas experiências, e ao seu tempo, o poder levou à corrupção destes. E durante algumas centenas de anos a corrupção dos sacerdotes levou à um dos períodos mais sombrios da história da humanidade, e as sombras que surgiram nessa idade de trevas sombrearam com ignorância a consciência humana, deixando profundas marcas no inconsciente coletivo. 

 Dentro de um movimento síncrono ao alvoroço teocêntrico do medievo, uma corrente político-filosófica foi fincando raízes cada vez mais profundas em direção ao centro luminoso do que parecia ser o coração de uma nova era. 
Surgia o Iluminismo, o nascimento da ciência, em contrapartida ao que se postulava como imutável pelo antigo regime, pois as premissas iluministas: a busca pelo saber e a liberdade de pensamento, eram lâminas afiadas que sangraram as verdades postuladas e que não mataram, mas permitiram que de dentro deste enorme Titã, saíssem os deuses da próxima geração.



A ciência através dos seus métodos e experimentos, se distanciando de todos os pressupostos e buscando provas factuais para tornar cognoscível o castelo da ciência que a natureza-caos criou, acabou retomando sob uma nova ótica valores ancestrais há muito perdidos, ocultos, proibidos: a curiosidade e a dúvida; sementes da antiga Árvore do Conhecimento. 


Mas como todo adolescente busca firmar valores que os diferenciem dos pais a ciência brigou com a religião, o método científico tomou caminhos distintos fez-se valer na sociedade moderna, revolucionando em diversas maneiras o funcionamento do mundo atual, alguns filósofos até a acusam de assassinato - Deus está morto!, eles diziam, e quem o matou? 




 É muito possível que há muito já houvesse algo semelhante nascendo e morrendo ao longo das eras, mas foi dentro deste cenário, e de um conturbado período da história que nasceu a premissa: O Método da Ciência, o Objetivo da Religião. A A∴ A∴ , como uma filha deste casamento inusual, se propõe a ser um sistema que utiliza o sistema a avaliação minuciosa de resultados, experimentação de técnicas, repetições e registro do que foi positivo e negativo; para promover autoconhecimento e elevação da consciência, e quem sabe vaguear através de uma experiência metafísica. 


 Esse sistema se dá através da progressão sistemática de graus analogamente relacionados à Árvore da Vida cabalística, onde em cada grau uma compreensão é almejada, baseada no que metaforicamente aquele estágio representa. 



Cada estágio é um fruto da árvore da vida e está relacionado à um mistério universal, uma face do divino e estágios da consciência humana; a progressão através deste sistema em conjunto com demais tarefas associadas treina o iniciado a contemplar por si só o que deveria vir a ser o divino dentro e/ou fora de si. 

 O objetivo da religião, o contato, comunhão com uma forma maior de consciência universal para promover a elevação espiritual e completude do ser através do iluminismo científico, o método da ciência, teste, experimentação e evidências.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

GAME OF THRONES E RELACOES DE PODER


Estive relutante por mais de 8 anos em assistir  Game of Thrones, razão talvez por ter alcançado o mainstream e tudo que chega ao ponto do popular me trás um certo asco. 

Mas após a onda de estrondosa popularidade, me entreguei à esta obra meio aos plantões de mais de 24 horas do hospital onde trabalho, e as longas noites sem movimentações na urgência e emergência cardiológica, tornaram-se palatáveis embaladas às crônicas de Westeros. 




Game of Thrones é uma série sobre relações de poder.


Essa foi a resoluta conclusão que cheguei sobre ela, e como de fatos as relações de poder são, intrincadas e emaranhadas cheias de nuances, imersas em um sistema caótico.

O caos para a física é a condição de um sistema onde pequenas alterações podem promover um abalo cataclísmico no resultado final do sistema.

No entanto esse caos não é desordenado.

Tal como em um transito no horário do rush é cheio e aparentemente desordenado, ele segue uma ordem que são as leis de transito. E para os veículos que não seguem as leis, acidentes são passíveis de ocorrer.

Trago o exemplo também das previsões meteorológicas, que buscam encontrar os padrões das correntes de ar para indicar as condições climáticas futuras. A pesar de ser um sistema complexo e caótico ele obedece um certo padrão.

O caos é a apenas uma ordem que nós não conhecemos.


Partilho esse conceito para as relações humanas.


Somos complexos, cheios de ambiguidades e polivalências e trazemos estruturas psicológicas que são o fruto de nossas inúmeras experiências vividas, mas todas seguem um determinado padrão.

Nem bons nem maus, somos a natureza.


A natureza desconhece o conceito de mau.

Uma raposa que mata um coelho para dar de alimento para seus filhotes não é má por que matou o coelho.

Ela é parte da natureza, garante o equilíbrio do ecossistema local.

Entender isso, nos ajuda a tirar a culpa do diabo e pô-la em nós mesmos e em nossas ações.


Mas voltando à série...


Uma crítica ao "revolucionismo"?


Toda revolução tem uma ala conservadora e outra mais radical, da raiz etimológica da palavra radix ou raiz. 

Tal como no livro A Revolução dos Bichos de George Orwell , 1945 - percebo que há um tom de sátira sobre a maneira como normas instituintes sobrepõe as instituídas, como esse processo pode ser caótico e brutal.

Parece ser uma critica conservadora ao "revolucionismo".



Ilustração do Major Porco de A revolução dos Bichos (1945).


Explicando...


Partindo de uma ótica simplista em relação ao poder, podemos observar que há o que é Instituído; ou seja o que já está estabelecido: as normas, cargos, forma de organização, personalidades e estruturas deste poder.


E a norma instituínte, que trás perspectivas inovadoras, movidas pela insatisfação com a norma vigente. 


Vimos ao longo da história diversas demonstrações de como essa transição pode ser agressiva e passível de corrupção  ideológica, à exemplo da república Jacobina, durante a Revolução Francesa. 


Depois de iniciada, a revolução cria vida própria e acaba por vezes fugindo aos objetivos iniciais.


É tomada pelo fulgor da emoção e cai no mesmo buraco dos sistemas anteriores. 


Repetindo o ciclo, com novos (ou mesmos) problemas.


O autor nos leva à crer que nunca haverá um futuro promissor a partir de uma norma instituínte radical.


No entanto é inevitável que surjam movimentos de oposição que busquem fazer ao seu modo.




"O poder reside onde o homem acredita que ele reside"



 "O poder reside onde o homem acredita que reside. 

É um truque, uma sombra na parede. 

E um homem muito pequeno pode lançar uma sombra bem longa." 

Varys, Game of Thrones.



E é nesse cenário que surge, como percebo a influência do poder sobre a condução de um movimento insurgente. 

O poder vem de onde acreditamos que ele está, e para isso o papel do líder parece ser o de inspirar seus seguidores de seus próprios ideais. Relembrar a história, narrar a esperança de um futuro melhor e guiar através do caos das relações humanas um futuro melhor, observando os padrões.


O líder neste caso, passa a ser uma personificação deste ideal, pois ninguém luta por um homem, mas por uma causa.


O líder, assumindo esta incumbência deve se manter atento para não deixar que seus subterfúgios emocionais e desafetos possam interferir em sua nobre missão.


É aí que muitos líderes falham.


É aí que muitos personagens da série caíram, um após o outro; Eddard Stark, Renly Baraheon, Jhon Snow... Poderia falar sobre cada uma das mortes e seus erros como líder, no entanto devo me ater ao tema principal.


O poder não vem do líder diretamente.


O poder vem daqueles que articulam o poder, o líder é apenas um representante daquele ideal e deve ter muito cuidado com quem são aqueles que estão ao seu lado, pois é a partir de seus assessores e agentes diretos que o poder os ideais de uma revolução podem cambiar.


O poder na verdade é uma enorme teia que permeia diversos setores e se agrupa em um sistema caótico de vontades distintas, conjuntas e orbitando um núcleo.


Você que está lendo esse texto, você exerce o poder em diversas esferas da sua vida.


A todo momento.. somos líderes e liderados. Saber alternar isso, entender os papéis que nos cabem e lutar para conseguir o que é nosso é a chave para uma relação pessoal harmônica com o poder.


É a microfísica do poder, tal como Focault defende em seu livro de 1979. As pequenas relações entre nós que estende a teia do poder até em cima.


É o máximo acerto da série. Observar os nuances dessas estruturas de poder que rodeiam o núcleo central da trama, a conquista do trono de ferro de Westeros.




E como que esta enorme teia, cada um com suas influências estabelecem o sistema tal como ele é.


A abertura da série também nos fornece esse insigth, com o Reino se erguendo oriundo de pequenos detalhes que se complementam sob a icônica e tradicional música.


https://youtu.be/s7L2PVdrb_8


Abertura GOT


Cada homem e cada mulher é uma estrela, que compõe o grande sistema da humanidade. 


Seguindo a sua própria órbita, influenciando os astros  mais próximos e também sendo influenciado por estrelas. Em harmonia e por vezes também não, em um sistema na qual a destruição também faz parte para garantir a harmonia natural.



terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Os Filhos da Viúva e o Desvelar da Face Masculina da Divindade.


Uma das mais dramáticas lendas maçônicas é a tragédia de Hiran Abiff, um nobre artesão - algumas lendas o elevam a posição de alto arquiteto -  e filho de uma viúva. 

Ele  se sacrificou para que o segredo por trás da construção do templo de Israel, construído pelo Rei Salomão, não caísse em mãos erradas.

Essa lenda inspira há séculos mestres maçons pelo mundo; e por partilharem de sentimentos por este ícone da da maçonaria mundial também chamam a si mesmo de Filhos da Viúva, tal como Hiran Abiff.


Mas quem era essa viúva em questão?


Supõe-se ser a mãe de Hiram Abiff, mas o que temos de informação bíblica sobrem Hiram é unicamente o que se encontra em Reis I - 7-13;
E enviou o rei Salomão um mensageiro e mandou trazer a Hirão de Tiro.
Era ele filho de uma mulher viúva, da tribo de Naftali, e fora seu pai um homem de Tiro, que trabalhava em cobre; e era cheio de sabedoria, e de entendimento, e de ciência para fazer toda a obra de cobre; este veio ao rei Salomão, e fez toda a sua obra. 
1 Reis 7:13,14 
E em II Crônicas, 10:
Então o Rei Hiram de Tiro, respondeu em uma carta que ele enviou a Salomão ... Despachei Hiram-abi, hábil artesão, dotado de entendimento, filho de uma das mulheres danitas, seu pai foi homem de Tiro. Ele trabalha em ouro, prata, bronze, ferro, pedra e madeira; sabe fazer tecidos de linho fino e de fios de lã púrpura, azuis e vermelha; é perito também em obras de entalhe e sabe executar qualquer desenho que lhe seja apresentado. Ele trabalhará com os seus artesãos e com os artesãos do rei Davi, o seu ilustre pai.”



Representação de Hiram Abiff  por Pierre Mejanel

Não há maiores informações sobre Hiram Abiff, muito menos sobre sua mãe.


Entendemos que boa parte da lenda que permeia o imaginário maçônico foi introduzido por meio de um caráter simbólico e iniciático para o desenho dos graus da ordem por James Anderson (1679-1739). 



Simbolismo Iniciático


Como na maçonaria especulativa, as expressões e símbolos tem uma teia filosófica, esotérica e até mística envolvida, vale a pena embarcar em uma reflexão oculta sobre a verdadeira Viúva.


Ainda no primeiro Grau é dito que o iniciado "recebe a luz".
Ora, quem senão "A Mãe" nos Dá a Luz? 
No mundo físico a Pequena Mãe, na senda iniciática a Grande Mãe.


O termo Filhos da Viúva não é em vão, pois assim eram chamados os iniciados nos Mistérios Egípcios (da obra De Iside et Osiride, de Plutarco), os mistérios de Isis e Osíris, qual Isis era viúva de seu esposo Osíris, morto por Seth e seus iniciados Filhos da Viúva. 

Para os Gnósticos Cainitas, Balkquis a rainha de Sabá, quando foi visitar Israel teria feito alianças e estava prometida para casamento com o Rei de Israel, mas se apaixonou pelo artesão e alto arquiteto do templo, Hiram Abiff com o qual sustentou um secreto e breve romance; mas este romance durou o suficiente para que ela pudesse engravidar do amante.

A traição de Hiram foi o motivo de sua morte e seu filho nascido de Balkquis,  tornou-se o Filho da Viúva.


Rainha Balkquis, por Charles Gonold



Justificativa Histórica

Há uma também possível alusão histórica à Ordem Templária, órfã de seu grão mestre Jaques De'Moley, logo seus filhos/iniciados seriam filhos de uma Ordem Viúva.

Como também há relação aos partidários dos Stuarts - família real escocesa refugiada na França - órfã após a decapitação de Carlos I, seu rei pela corte Inglesa. 

Mas neste momento, estamos interessado a investigar outros segmentos desta iconografia...



O Desvelar da Face Feminina da Divindade.


O templo maçônico, é uma réplica do Templo de Israel, e assim como as Catedrais Católicas erguidas também por maçons operativos, é alusivo ao corpo de Deus que é a Igreja. 

A igreja é a representação cristã da eterna de muitos nomes.

A Deusa, aquela quem nos dá a luz, presente desde o início, velada desde o início; subjugada, esquecida, moralmente violada e totalmente deturpada pelos seus próprios filhos.

Ela é que é a doadora da forma - Binah e Gaia,  recebe a forma bruta (nós) e nos dá forma segundo suas leis(loja/vida), tal como a Primeira Grande Restrição dos Cabalistas , nos nutre e nos fortalece para um dia nos encontrarmos com o Pai. 


Onde está o Pai?


"Pai nosso que estais no está no céu...(...)" 

O pensamento dos povos originários, xamãs e indígenas,  não difere muito das modernas e complexas metáforas dos gnósticos.

"A terra é nossa mãe e nos deu nosso corpo, no céu está nosso pai que nos deu nosso espírito" 
Cacique Oponeré gavião kyikatejê.

Há uma clara correlação entre os mitos religiosos de todo o globo, e isso deixa os estudiosos de religião comparada muito felizes.

Por que toda religião possui mitos que cifram seus ensinamentos e  traduzem seus grandes mistérios 


Sol, Céu e o Deus Sacrificado



A psicologia analítica de Jung nos ensina a observar a figura paterna como a estabelecedora dos limites do socialmente aceito, a disciplinadora.

Nesse sentindo, extrapolamos para uma perspectiva metafísica, onde alocaremos o Sol como a representação masculina na natureza.
 
É o Sol que dita a temporalidade, do dia e da noite, das estações do ano e os ciclos da natureza.

O Sol é o Senhor do Tempo e Pai dos inícios e finais. (o alfa e o ômega)

O Sol também preenche a metáfora do sacrifício, o qual o deus cristão crucificado incorpora.

Pois ele "doa" suas energias para as sementes da terra, e na medida que elas se fortalecem ele morre, para ressuscitar um dia, e uma vez mais fazer a roda girar. 

Este é o desvelar da face masculina da divindade.

Ele nos lembra da fugacidade da vida, mas também das leis morais pois ele é o disciplinador.

Nos lembra da importância do Legado, da herança que deixaremos nesta terra.

Todos os começos tem finais, todos os finais são começos.



domingo, 11 de outubro de 2020

Maria, a Estrela do Mar

Hoje é círio em Belém (PA), e é notável uma mudança de atmosfera da cidade, eu mesmo me  considero cético, mas me emociono nesse período, não pelo círio em si, mas há algo diferente no ar como se fosse realmente a sensação de re-ver a própria mãe e consigo turbilhões de sentimentos. 

E hoje parei para entender e tentar exprimir um pouco do que percebo dessa carga simbólica.

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Um dos epítetos católicos em latim de Maria é o de Stella Maris, e particularmente é proclamadamente o mais significativo e tocante para mim. 

Canto Gregoriano: Maria Estrela do Mar


Não apenas pelo paralelo que há entre Maria e outras Deusas relacionadas ao Mar, como: Yemanjá, Isis - que teve seu culto trazido do Egito até à Grécia pelo Mar do Chipre, a própria Afrodite trás elementos simbólicos dessa grande Iconografia que povoa o  imaginário humano desde o alto da cultura mesopotâmica.

A própria raiz do nome Maria, vem do hebraico: Marah, que em tradução literal significa: Amargo/Salgado, que por si só conecta ao Mar.

Porém, acredito que sua relação não seja meramente casual.

O mar é a fonte de toda a vida, foi no mar que ocorreu a formação das primeiras estruturas celulares existentes que deram origem a toda vida na terra. 

O mar é o útero vivo e virgem que foi fecundado pelo Logos criativo de Deus que pairava em sua superfície quando tudo era sem forma e vazio; através das delimitações entre o Mar e a Terra, nosso planeta foi tomando forma.



Na ciência cabalista, é dito que Binah - esfera da árvore da vida associada à Grande Mãe, é a doadora da forma, aquela que une o espírito à matéria viva, ela quem dá a vida, que dá a luz.

Ela é terrível também pois trazer ao mundo material também implica diretamente em uma consequente morte, e ela, a própria manifestação da vida, não conhece a morte pois está além desses domínios, seus padrões são circulares, eternos e cíclicos, assim como as marés, a lua e os ciclos femininos.

Não suficiente, amargo também é o Gozo Feminino, um muco de teor alcalino responsável por neutralizar o pH vaginal e tornar possível a fertilização.

Amargo é a terra fértil e cheia de matéria orgânica, apta para receber sementes e dar vida para todas as plantas. 

Amarga é a taça da vida que dualmente é também o mais doce dos licores para os que vivem seu mistério. 

Somos todos fisicamente terra pelos minerais que formam nosso corpo e água pelos líquidos que os dão fluidez, ela sempre esteve e sempre estará conosco. 

Ela nos amou antes da consciência de amar. 

A mar. 

Pois ela é o próprio amor incondicional que dá origem a vida. 


Salve salve Estrela do Mar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Os 4 Elementos sob a pespectiva do Esoterismo e Filosofia: Fogo

Para os cabalistas ele foi o primeiro elemento, para o grego Heráclito ele foi a causa de todo o universo.

Há também quem diga que o universo surgiu em uma grande explosão; onde faz se possível uma correlação com ele.


O FOGO

É representado no macrocosmo como o Sol no céu e seu poder transformador em toda a vida da terra.

Aliais o poder de transformação que o fogo (e o calor) ocasiona nos materiais é a sua qualidade mais apreciada dentro da química. E metaforicamente para a filosofia esotérica também!

O fogo contém em si o poder para criar e destruir.

A sua expressão é através da luz; que nos habilita o sentido da Visão.

O axioma do fogo é o Querer o que reflete também as suas qualidades como: a criatividade, o dinamismo e a energia.

O fogo é associado a liberdade; que misticamente está para a coragem.

"Pois para sermos Livres precisamos ser Corajosos"

O fogo nos motiva para o sucesso e refina as nossas paixões 

Ao lidarmos com esse elemento somos desafiados a encontrar o limite para chegar ao equilíbrio da energia criativa sem ser destrutivo.

E mesmo que destrua, que essas cinzas sejam usadas para  nutrir a vida nova. Assim como as cinzas da madeira - ricas em minerais - fertilizam o solo para novas plantas.


Se usado de maneira adequada o fogo pode aquecer, iluminar e ajudar a cozer os alimentos.

Mas se sai do controle pode causar estragos - assim como nossas paixões que se colocadas dentro dos limites, nos confere impulsos criativos e construtivos.

O fogo é provavelmente o mais desafiador dos 4 elementos e também nos lembra da fragilidade da vida que; como a chama de uma vela que se levanta e dança também pode enfraquecer até o seu fim, lembrando da danca da vida.


 O acrônimo alquímico do fogo é: IGNIS

"In Gehenna Nostrae Ignis Scientiae" - No inferno Está o Fogo de Nossa Ciência

Esta compreensão alquímica baseia-se no mistério do fogo no interior da terra; chamado pelos antigos germanos de sol negro ou na metáfora esotérica do sol da meia noite.

Este conceito é originário na compreensão dos povos antigos que na ideia de que a terra fosse plana; achavam que o sol [Shamash - para os mesopotâmios] ia para debaixo da terra ao anoitecer; ou que morria e era novamente gestado no útero da terra onde renascia no outro dia [cosmovisão indoeuropeia/aborígene/tupi].

No inferno, ou seja no submundo, abaixo da terra, no útero escuro e desconhecido do nosso subconsciente e afastado da luz da consciência comum, está o fogo que os alquimistas buscam.

O "self" descrito pela psicologia Jungiana.

A criança da promessa.

O fogo que Prometeu trouxe aos humanos. 

Toda a glória da estrela da manhã. 

A nossa centelha divina.

Trabalhar o elemento fogo dentro de nós, ensina a nos concentrar em nossos caminhos e em nossa Verdadeira Vontade e nos da poder e liberdade.

Representação de uma Salamandra, ser elemental do fogo para os Alquimistas.


TABELA DE CORRESPONDÊNCIAS ALQUIMICAS DO ELEMENTO FOGO.

AXIOMA - Querer

COR -  Vermelho

SIGNOS ASTROLÓGICOS - Áries, Leão, Sagitário.

PLANETAS - Marte e Sol (para o esoterismo o sol é um planeta)

DIREÇÃO - Sul ou Leste

HORA DO DIA - Meio dia 

ESTAÇÃO - Verão

SENTIDO - Verão

GÊNERO - Masculino

DEIDADE - Hades e Hefesto

TETRAGRAMA - Yod

ARCANJO - Miguel

GOVERNADOR ELEMENTAL -  Seruph ou Nathaniel

REI ELEMENTAL - Djin

ELEMENTAIS - Salamandras

KERUB - Leão

GEMA - Rubi

METAL - Ouro, Ferro

TARÔ - Paus

SOLIDO PLATÔNICO - Tetraedro



quinta-feira, 16 de julho de 2020

ORIGEM E SIMBOLISMO: GAIA, A DEUSA DA TERRA


De acordo com a cosmogonia Grega, antes do homem ser criado, só havia terra e ar e antes mesmo de existir o ar e a terra, se necessitava de um lugar para estes se manifestarem. 

Este lugar era o Caos: que era o lugar onde existia só a possibilidade de ser. 

No sonho do Caos só existia o Pensamento, que crescia e palpitava e este Pensamento estabeleceu a Ordem. 

Tão poderoso e eficaz foi este Pensamento que chamou a si mesmo de Eros, e ao pronunciar aquele nome, o Caos se transformou no Momento. 

Do Caos e Eros surgiram a obscuridade chamada Nyx e o movimento chamado Boreas, o vento.
Em sua primeira dança cósmica, Nyx e Boreas, giraram em movimento arrebatado e frenético até que tudo que era denso e pesado descendeu, e tudo que era leve ascendeu. 

A matéria densa era Gaia e de sua chuva e de sua semente proveu sua descendência.


A Deusa 

A Deusa Gaia, a grande Mãe Terra, portanto é uma das primeiras Deusas Gregas. Ela deu forma a tudo e criou seus filhos: a terra, os mares, as montanhas, as plantas, os animais, as estrelas e etc. Gaia deu vida a cada um de seus filhos para que eles vivam em liberdade e harmonia, desfrutando da beleza de sua criação.

A primeira criação de Gaia, contudo, foi Urano, o céu. Urano, que pode ser visto como criação ou como filho, tomou Gaia como sua esposa e os dois tiveram diversos outros filhos.

A História

Contudo, cada vez que um filho nascia, Urano o escondia em algum lugar em Gaia para que ele tivesse a atenção da Deusa única e exclusivamente dele. Com isso, Gaia foi se sentindo cada vez mais pesada e triste por não poder ver os próprios filhos.

Cronos, o Titã mais novo, decidiu por um fim nesse “relacionamento abusivo”. Quando Urano se prepara para penetrar Gaia, Cronos corta o pênis do pai com sua foice. Gotas de sangue e sêmen caem por toda parte e, em cada local que tocam, um novo nascimento ocorre. O mais conhecido nascimento deste evento é o nascimento da Deusa Afrodite. Quando o sêmen de Urano toca o oceano, surge uma espuma (Aphros) e desta espuma surge a Deusa mais bela de todas, Afrodite

Os Símbolos

Significado de Gaia e Símbolos de Gaia
A palavra Gaia significa Terra. A Deusa Gaia está sempre relacionada à:

Abundância;
Prosperidade;
Amor infinito;
Origem de tudo.
Os principais símbolos de Gaia são:

Planeta Terra;
Fartura;
Florestas e Rios;
Serpente.
A serpente é vista como um símbolo de Gaia porque ela representa a renovação ao deixar uma pele e “renascer” e também por ser um animação de proteção que protegia os grãos contra roedores.

A Serpente Píton que habitava Delfos, é filha de Gaia.

Salve a Nascida do Caos!
Doadora da Forma, da qual a vida jorra eternamente, a terra sob nossos pés, senhora da abundância.

Gaia Lilac, Gaia Yabá, Gaia Pacha, Gaia Wakama!

VESTA: A CHAMA DO OLIMPO E O ISOLAMENTO SOCIAL

*Quarto Minguante*
DEUSA VESTA: A CHAMA DO OLIMPO.

Vesta, era a primeira filha de Cibele com Saturno, a primogênita da geração de deuses olimpianos, mas foi engolida por Saturno, posteriormente salva por Júpiter. 

Quase sempre representada com um longo vestido, e por vezes com um véu.
É a deusa que nunca abandona o lar, é a chama do olimpo, o coração da morada dos deuses.

Representa o calor, o aconchego e a divindade que é o Próprio Lar.

Em tempos de isolamento social, somos confrontados com nosso retorno ao lar; onde encontramos tudo aquilo que havíamos soterrado; e o que era escondido é posto à luz da chama de Vesta.

Nossos conflitos familiares por tanto tempo remediados pela nossa fuga desenfreada, nos escapismos do dia a dia é confrontada com a convivência visceral e nos vemos simplesmente expostos.

Expostos pela urgência das situações, no momento em que nos vemos frágeis. 

Pelo sentimento de frustração das pessoas a quem amamos e pela a desilusão de nossas próprias expectativas.

E tudo bem ficarmos expostos quando estamos em casa, isso é verdadeiramente intimidade e convivência real. 

O conselho de Vesta é a acolhida. Acolha, traga para o seu coração. Ame. 

Por que onde está o nosso coração está o nosso lar.